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Escalada do Cho Oyu, 8.201 metros. Sexta mais alta montanha do planeta - 2009
Eu me lembro com muita clareza o dia exato em que muitos dos meus projetos começaram. Assim foi com o “Desafio de Altitude” onde encontrei um sorridente grupo de portadores de deficiencia física no hotel onde estava no mesmo hotel onde eu estava hospedado. Eles estavam voltando de um rafting e imediatamente comecei a sonhar em organizar o mesmo com brasileiros. Com a “Primeira Travessia Fleury Atlântico ao Pacífico” passou algo similar. Estava em uma pequena ilha na Tailandia e acordei com a frase Atlântico ao Pacífico na minha cabeça. Algo semelhante acontece com muitas de minhas viagens. Me lembro em 93 ter ido assistir ao filme Indochina que mostra lindas cenas do Vietnã. Uma semana depois lá estava. Tinha me demitido do emprego que tinha em Canberra, capital da Austrália e fechado a casa onde tinha residido nos últimos 9 meses.
Em abril de 2005, estava guiando um grupo de trekking rumo ao campo base do Everest, meu trigésimo primeiro grupo naquela região. Estávamos seguindo em direção a Gokyo, um maravilhoso vale a oeste do Everest. No final deste vale se ergue o imponente Cho Oyu, a sexta mais alta montanha do planeta. Como sempre, estava carregando minha mochila com ao redor de 25 quilos e caminhava um pouco a frente do grupo, sozinho. Pela milésima vez me senti atraído a escalar uma das 14 montanhas com mais de 8.000 metros.
É apenas natural que eu tenha esse tipo de desejo. Por três meses do ano percorro as trilhas dos Himalaias, olhando com admiração para essas montanhas e ouvindo as histórias de escaladores que ousaram subir em suas encostas. Por milhares de vezes já me senti motivado a tentar também. E por outras milhares de vezes desisti momentos depois. O tempo necessário para planejamento, treino e execução é imenso e o custo proibitivo. Pelo menos assim eu tentava justificar para mim mesmo o porque eu deveria me ater a escalar montanhas menores como as que escalei na Bolívia, Peru e Nepal nos últimos anos.
De alguma forma neste dia me senti diferente e não conseguia achar nenhuma resposta suficientemente boa para a pergunta: Por que não?
Me sinto extremamente forte fisicamente. Através dos anos desenvolvi um dos mais difíceis aprendizados da montanha que é conhecer as reações de meu corpo em altitude. Também hoje tenho muito mais desenvolvida a paciência que é necessária para aguentar os longos dias dentro de uma pequena barraca em caso de mau tempo. Tenho seis meses de férias ao ano e com isso o tempo necessário para o treino e a execução da escalada. E finalmente não posso pensar em melhor coisa para me dar como presente para o meu aniversario de 53 anos. Escalar um 8.000!
Depois de conversar com vários conhecidos me decidi pelo Cho Oyu, a sexta mais alta montanha do planeta situado na divisa do Nepal e o Tibete. As razões desta escolha são principalmente o grau de dificuldade e a altitude, poucos metros apenas acima da chamada “Zona da Morte”, acima dos 8.000 metros.
Neste ano de 2008 que acaba agora, eu e a Andrea passamos 3 meses na América do Sul escalando e fazendo duros trekkings nos preparando para o grande desafio. Em 2009 nosso calendario está ainda mais cheio com o McKiley ( a mais alta montanha da América do Norte), o Kilimanjaro (a mais alta da África) e o Mustagh Ata, uma montanha com 7600 metros no oeste da China, além de numerosos trekkings.
No momento estou verificando custos, lendo a bibliografia a respeito e sondando possíveis companheiros de escalada alem de buscar patrocinadores.

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